Amadeo Luciano Lorenzato e Vilma Eid

Esse final de semana recebi um email pessoal da querida Vilma Eid, da Galeria Estação, me convidando para abertura da exposição “Lorenzato, a grandeza da modéstia” e para a visita guiada com o curador Laymert Garcia dos Santos.

Sinceramente não conhecia o trabalho do Lorenzato, mas conhecendo o olho mais que afinado da Vilma, uma das grandes damas da arte de São Paulo, convidei minha mãe e fomos ontem à noite na vernissage.

Nossa, que surpresa.

Lorenzato nasceu em Belo Horizonte em 1900 e faleceu em 1995. Começou a pintar e expor apenas a partir de 1964, apesar de ter estudado na Real Academia de Arte, próximo a Vicenza. Vilma conheceu o trabalho de Lorenzato recentemente, em uma viagem a BH, e ficou encantada com a sua obra. Por se tratar de um pintor que já nos deixou, teve certa dificuldade em conhecer seu trabalho. Resolveu que iria conseguir um acervo para fazer uma importante exposição do artista, até então praticamente desconhecido em São Paulo, na sua galeria. Passou a comprar obras de colecionadores, em leilões, e finalmente com uma quantidade razoável de trabalhos, convidou Laymert Garcia dos Santos para ser o curador da mostra.

A Galeria Estação é uma galeria focada no melhor que existe de produção de arte popular no Brasil. Normalmente, as obras apresentadas são de tamanha qualidade que é difícil qualificá-las como naif, e no caso de Lorenzato então, eu diria que esse artista erudito, que viveu entre Brasil e Itália, viajou o mundo, conheceu os melhores museus e produções internacionais de arte, falava cinco idiomas, está longe de ser um artista popular. E exatamente isso que encantou nossa galerista.

Ontem, Laymert explicou o processo de criação de Lorenzato, e a grande curiosidade da noite foi os pentes utilizados para dar movimento e iluminação para os quadros, lembrando as pinceladas de Van Gogh, e até os temas como árvore que lembram ciprestes, girassóis, céus estrelados, também aparecem na obra de Lorenzato.

Lorenzato foi pedreiro, e da técnica de construção, que ele trouxe esse pente, e também criava sua própria tinta e misturas com cimento para dar volume. O resultado de suas paisagens são belíssimos. A luz, a paleta de cores, sempre muito delicada e agradável. Os quadros dão sempre uma idéia de campo, tranquilo, cidadezinha de interior tranquila, apesar de muitas vezes retratar favelas. Muito bacana.

A exposição fica até Maio/2014, na Galeria Estação em São Paulo. Aproveitem, pois todos os trabalhos estão a venda. Ontem mesmo vários já estavam com bolinhas vermelhas. Sucesso merecido.

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