Daniel Buren e suas interferências arquitetônicas em Guadalajara

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Daniel Buren, nasceu em Boulagne-Billancourt, linda cidade no subúrbio de Paris, em 1938. Na década de 60 desenvolveu uma estética própria que o transformou em um dos artistas mais importantes da arte conceitual. A obra mais famosa de Buren é aquela escultura esquisita das pilastras listradas no Palais Royal em Paris. Les Deux Plateaux, ou as famosas colunas de Buren, é uma escultura mega controversa. Buren foi convidado para criar algo na década de 80 em um espaço que antes era um estacionamento. Ora acho que ele se inspirou naquelas pilastras que proíbem estacionar, ora em um jogo, não sei bem, me lembra muito aquele cemitério dos soldados americanos, por conta da simetria, apesar dos desníveis. Sinceramente, não sei se gosto, mas pode observar, quem vai olhar a obra, fica com cara de não entendi porra nenhuma, tenta sentar, levanta, vai para lá, vai para cá, e se manda. Aquilo me incomoda, se era a intenção, funcionou. Estudando a obra de Buren percebe-se que ele começa pintando as listras e passa para essas instalações abandonando de vez a tela.

Bem, o assunto não eram as colunas, e sim o Buren, que por incrível que pareça é coloridíssimo em suas esculturas. Seu trabalho bastante cinético, brinca com o espectro de cores, como um prisma, e sua relação com a arquitetura do local onde está exposta a obra e a luz. O efeito é sempre a mistura das cores, dependendo da luz, dependendo da posição que se olha, muito bonito.

Em 2012, Buren foi o quinto artista convidado a participar da Monumenta. A Monumenta é uma exposição onde o artista convidado tem como difícil desafio ocupar os 13.500m2 do Grand Palais com uma única obra. A obra de Buren era simplesmente sensacional. Passamos horas fotografando, brincando como crianças, naquele imenso emaranhado de círculos coloridos que transformaram o Grand Palais em um arco-iris. Genial e inesquecível, e totalmente diferente da experiência Colunas Listradas.

Semana passada inaugurou a exposição “De um pátio a otro: laberinto”, em Guadalajara, no “Hospicio Cabañas”, onde Buren interferiu em toda a arquitetura. Dos 22 pátios do imóvel 19 tem intervenções de Buren, que exploram as características arquitetônicas do espaço e dialogam com os famosos murais de José Clemente Orozco, que fazem parte do espaço. A edificação foi cenário de importantes momentos históricos por mais de 200 anos. O projeto concebido pelo arquiteto Manuel Tosá em 1796 a pedido do Bispo Juan Cruz Ruiz de Cabañas, era uma instituição beneficente para cuidar de crianças carentes doentes. Ao longo do século XIX teve vários usos: quartel militar, escola de mulheres, centro educativo, até que em 1980 o espaço se torna um espaço cultural. Em 1997 foi declarado Patrimônio da Humanidade pela Unesco.

Quem for a Guadalajara não perca. – Cabañas, 8, Las Fresas, Guadalajara, Jalisco, México, aberto de terça a domingo das 10h as 18hs. Não encontrei quando termina a exposição, pelo visto vai ficar por bastante tempo.

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