O PIOR DE TODOS OS VICIOS: O PODER.



Nunca fui interessada por política. Sempre pulei todas as primeiras páginas da Veja, do Estado, da Folha. Assuntos internacionais, de economia, tecnologia, de cultura, turismo, etc, sempre me interessaram mais. Se eu já não gostava de ler sobre política no passado, hoje menos ainda.

Até 10 anos atrás eu mal sabia o nome de um secretario, um deputado, as vezes do prefeito e do governador. Concordo, era uma alienada no assunto. A vida me levou a ter que conhecer políticos, a máquina pública e depender muitas vezes da boa vontade dessa máquina para conseguir realizar meus projetos. Conheci pessoas que gosto muito, que admiro pelo seu trabalho e que se tornaram meus amigos. E também conheci pessoas que tenho ojeriza, repudia, que nem sei se posso chamar de ser humano.

Posso passar horas contando histórias do que presenciei, em São Paulo, em BH, no Rio de Janeiro, em Porto Alegre, em Curitiba, em Goiânia, em São Luis e em Brasilia. Conheço governadores, ministros, prefeitos, secretários e principalmente funcionários do poder público em todas essas praças.

Além da política eu estive em contato com os maiores veículos de comunicação, tanto imprensa escrita, quanto rádio e televisiva. Além da imprensa e política, eu conheço centenas de empresários, industriais, executivos, prestadores de serviços, público formador de opinião, socialities, artistas e por fim entidades do terceiro setor. Terceiro setor um assunto a parte, e também bem complexo e controverso.

Hoje posso dizer que conheço profundamente grande parte do Brasil. Não porque fui a Porto de Galinhas, ou Maragogí, ou Trancoso passar ferias na praia maravilhosa. Ou fui ao Rio ver o Carnaval. Pois vivi intensamente nessas cidades, muitas vezes por mais de 1 ano.

Por que estou escrevendo esse texto hoje?

Porque se as pessoas tivessem essa minha experiência, entenderiam que o grande mal de tudo é o PODER. Haja dinheiro para empilhar e roubar. Tanto da iniciativa pública quanto da privada. Chega uma hora que essa pilha fica tão grande, mas tão grande, que não tem vida vivida para gastar. Logo, não é o dinheiro que move as pessoas a essa falta de escrúpulo, é o PODER. E o vício de saber que pode sempre mais, subir mais, controlar mais.

A imprensa totalmente irresponsável, tendenciosa, não checa nada em profundidade, pública o que é do seu interesse, quer seja de esquerda, direita, centro. O poder público totalmente corrompido, facilita a falta de eficiência da máquina, fazendo com o que o honesto, trabalhador, viva em um ambiente torturador, onde a sua volta nada funciona, burocrata ao extremo, como se fosse ilhado. A iniciativa privada alimenta o poder público, pois é a primeira a corromper a máquina para vencer licitações. Claro que tem político honesto, empresário honesto, imprensa coerente, mas o contrário é tão maior em quantidade, que fica quase impossível remar contra a maré.

É exaustivo, é um stress aniquilador.

Esse movimento não é exclusivo do Brasil. Morei e trabalhei na Espanha, morei e trabalhei em várias regiões dos Estados Unidos. Os problemas relacionados a ânsia pelo poder são iguais, mas em proporções diferentes. Existe uma preocupação pelo coletivo. Como se aqui fosse 100% baderna, e nos países desenvolvidos 20% de baderna e 80% de seriedade. Ou qualquer proporção que torna claro, que eles são mais eficientes que nós.

Vou usar a ficção, pois retrata muito bem essa realidade. Se Mad Men há 7 anos atrás escancarou a realidade hipócrita do mercado publicitário mundial, House of Cards, mostra de maneira brilhante o jogo do poder político. Percebam que em toda ascensão da série, não se mudou de casa, não se acumulou riqueza, não existe vida, existe o jogo de xadrez para assumir e acender em cargos, independente da coerência, do partido, da ideologia, vale absolutamente tudo.

Quem já viveu essa realidade vai me entender. Para quem lê o jornal e acredita no que lê, sem buscar a profundidade da informação, eu lamento. Você foi fisgado pelo poder. Quer seja pelos muppets do JN, a ironia da Folha, a antiga sisudez do Estado, as mini-notícias em pílulas do O Globo, o deboche do Boechat, o exagero tendencioso da Veja, o sensacionalismo do Datena. Estão todos comprometidos em alimentar o poder e seus próprios bolsos.

Para o Brasil entrar em algum eixo de decência, essa engrenagem tem que ser totalmente desmantelada, para que outro poder menos desequilibrado, que seja 50%/50%, entre no jogo.

Reflexão de domingo.

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