Minha relação com a Itália

Desde criança a comida que eu mais gosto é macarrão com molho de tomate, e suas variações, gnocchi, penne, spaghetti. Desde criança a nossa casa vive cheia de tios e primos, e por conta disso, muita risada, muita barulheira. Desde criança estou acostumada a falar gesticulando, mexendo as mãos. Desde criança falo alto e minha família inteira fala alto, principalmente meu pai. Desde criança presto atenção em absolutamente tudo e sou muito ligada em estética. Sempre achamos que nossa familia tinha no fundo origem italiana.

A primeira vez que fui para a Itália eu senti uma identificação absurda com o país. Passei 20 dias comendo gnocchi, mas ao pesto, a versão mais comum por ali. Até o açucareiro de qualquer boteco era uma peça de design absurda, muitas vezes da Alessi. Fiquei admirando desde a maquiagem das mulheres, as roupas maravilhosas dos homens, o cuidado até com os números das casas. Adorava o fato da Itália manter suas tradições, mesmo inserindo o design moderno no seu dia a dia. A comunicação era feita por cartazes de cartolina desenhados com canetinhas coloridas, e até hoje é assim.

Comecei a estudar italiano, logo depois dessa primeira viagem. Primeiro tive uma professora brasileira de Milão. Eu tinha aulas na hora do almoço com a minha amiga Maria, que é uruguaia. Como falo fluente espanhol era um sufoco não misturar italiano com espanhol. E a Maria por incrível que pareça misturava italiano com inglês. Foi aí que aprendi que você mistura com a última língua que aprendeu. Como a lingua mãe da Maria era o espanhol, ela misturava com o inglês. Muito louco.

Com essa professora brasuca-milanesa eu aprendi que Milão é uma cidade escondida. Fui para Milão umas três vezes e achei um horror. Até que acabei visitando a cidade uma quarta, quinta, sexta vez, com uma pessoa que morava por lá. Era mais velha e tinha alguma grana. Milão é para quem tem grana. Nossa que diferença. Todo prédio por dentro tem um lindo jardim, Milão é um luxo em termos de gastronomia, design, moda. Uma das visões que guardo é do apartamento de um amigo em plena Via Spiga. Da varandinha no último andar, você via todos os topos de Milão e a Duomo exuberante surgia como a maior construção. Troppo bello.

Depois tive aula particular com um professor legítimo italiano de Salerno. Era praticamente uma terapia para os dois, mas em Italiano. Ele tinha casado com uma judia brasileira, imagina a zona. Conheci muito da Itália napolitana e era divertidissimo. Lia livros napolitanos. O humor napolitano é muito característico. Fiquei anos morrendo de vontade de conhecer Napoli e a Costa Malfitana. Até hoje não conheço Napoli, mas fui ao paraíso Capri, Positano, Ravello, que sonho.

A primeira viagem que eu fiz com o Mi, foi para Itália. Queria ir ver novamente o David de Michelangelo. Para mim uma das obras primas mais encantadoras da humanidade. Firenze é um sonho. Botticelli. A Duomo.

A cada visita a Itália me apaixono mais. Ontem tive que conversar em italiano, e infelizmente por falta de uso, meu italiano está super enferrujado. Uma pena. Adoraria ter a fluência que tinha há muitos anos atrás…quem sabe volta.

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