E viva a Liberdade e a Matzá



Hoje se comemora Pessach, a Páscoa Judaica. Não tem ovo de chocolate, não tem bacalhau, o motivo é totalmente diferente da Páscoa Cristã. Os judeus seguem o calendário lunar. Estamos em 5774 e os meses são calculados pelos ciclos da lua. O calendário cristão segue o ciclo solar, por isso nossos feriados são móveis.

Em Pessach nos reunimos para lembrar a história do êxodo dos judeus do Egito, onde eramos escravos do faraó e passamos 40 anos no deserto, nos alimentando muito mal, até estarmos prontos para liberdade e entrar na Terra Santa. Esse episódio é contado através de um livro chamado Haggah shel Pessach, repleto de músicas, que são cantadas pela família durante o jantar. A comida também segue todo um ritual, baseada em uma farinha sem fermento, sem levedura, sem cor, o pão ázimo, ou matzá. Durante 7 dias os judeus comem como se estivessem no deserto. É proibido comer pão, pizza, macarrão, ou qualquer outro tipo de comida que leve fermento.

Apesar da restrição alimentar e do assunto, o jantar é muito alegre. As crianças adoram cantar as músicas e principalmente procurar a matzá, o africoman, para ganhar um prêmio. Entre as músicas, Manishtaná, questiona por que essa noite é diferente das outras?, Ehad Mi Odeah, canta a história da criação do mundo. Eliahu Hanavi é esperado com uma taça cheia de vinho e com a porta aberta. Ainda temos um prato onde vários elementos simbolizam esse momento. Lembramos as pragas que Deus, através das mãos de Moisés, nosso libertador, enviou sobre o Faraó e o povo egípcio: dam, tsifardeah, kinim, arov, dever, shkhin, barard, arbeh, choshech, makat b-chorot. As pragas são dirigidas às divindades egipcías, como os deuses animais, o deus do Nilo, e a morte do primogênito do Faraó. Momento forte do jantar, onde pingamos uma gota de vinho no prato ou guardanapo para representar cada uma das pragas.

Praticamente toda a nossa tradição tem algum significado quer seja em números, letras, comidas, posições, rezas. Não é para menos que temos a Kabbalah. Eu sou fascinada por egiptologia, e acho que herdamos muito da mística desse povo, temos muita semelhança em superstição, amuletos da sorte, como mezzuza, hamsa, reza da casa, entre outros, que devem vir desse periodo de escravidão.

As festas judaicas existem para criar momentos agradáveis entre a família. Ainda mais com a vida moderna, onde praticamente não conseguimos ver ninguém, as diversas comemorações durante o ano, nos obrigam a participar e estar juntos, lembrando como é agradável. Outra coisa que me fascina é saber que em qualquer casa judaica aschkenazi pelo mundo estarão comemorando Pessach essa noite, como comemoramos aqui, com as mesmas músicas, rezas, kneidalach, gefilte fish, charosset, matzá, e muita discussão, ninguém concorda com nada: reunião em família!

O significado de Pessach, do hebraico Passar Além, é uma reflexão sobre a liberdade e sobre a importância de justamente parar, refletir, dar valor aos valores morais e não a comida e assim encarar os desafios da vida.

Chag Sameach!

meu sobrinho Pedro cantando Manishtaná…

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