De Aventura para Key West.

Eu tinha um orgulho danado de dizer que viajava um monte para os Estados Unidos e pousava no MIA só para conexão. Achava Miami e Disney o fim. Paguei a boca, pois fui morar lá e hoje é a região que mais frequento nos Estados Unidos e adoro. A Disney ainda demorei muito para conhecer e de verdade, não conheci. Eu fui só na Universal. Consegui a proeza de ficar hospeda na Disney e não conhecer o Magic Kingdom. Fomos com meu irmão, a Sil e meus sobrinhos há dois anos atrás, mas ficamos apenas 3 dias.
E foi assim que em janeiro de 2001 recebi uma visita ilustre na minha residência em Aventura: meu pai, minha mãe e minha tia, a irmã da minha mãe. Eu convidei os três para passarem um mês comigo. Morava em um condomínio muito gostoso de frente para a marina e “walking distance” do Aventura Mall. Aluguei um carro para eles. Dei um celular. Meu pai comprou todos os mapas da Florida, e assim enquanto eu trabalhava, eles desbravaram a região. Foram em todos os museus, parques, delis judaicas e até para Disney.
Em um dos fins de semanas combinamos de ir para Key West. Na sexta tive uma festa daquelas bem americana, regada a toneladas de bebida, na casa de uma colega de trabalho. A casa era o máximo, também ficava em Aventura. Tinha um pick-up de dj, piscina e dava para um canal. Dançamos, cantamos, devo ter nadado no canal, eu acho. Eu lembro de uma cena de eu deitada no chão e um cachorro lambendo minha cara, e isso lá pelas tantas da madrugada. Porre daqueles bravo. Fim da linha total. Voltei para casa, dormi na sala para não acordar ninguém mas já era quase de manhã.
Para não estragar o programa enfrentei guiando as 3h30 de estrada entre Aventura e Key West. A estrada é maravilhosa de linda, mas como todas nos EUA uma linha reta interminável, nesse caso de pontes quase na altura da água e entre ilhas. Dá um sono do capeta e ainda tinha a dor de cabeça da ressaca. Chegamos em Key West no final da tarde de sábado e não tínhamos reservado hotel. Última vez que fiz essa burrada.
Ficamos procurando hotel mortos de cansados. Andamos todas as ruas e todos os inn estavam lotados. Até que eu e meu pai resolvemos entrar em um lugar que nem placa tinha e uma moça russa nos disse que eles alugavam para o fim de semana. Meu pai soltou o russo: “Ya ne govoryu po-russki” e começou a bater papo com a moça em não sei que lingua, pois ela só falava russo.
O lugar era o máximo, bem barato para uma noite e gigante. Uma casa townhouse típica de Key West, só para nós. Meus pais tinham uma suite no mezanino com uma cama gigantesca king-extra bem alta e eu e minha tia um quarto bem legal. Minha tia abriu o armário e me disse toda feliz: “Té tem até prancha de surf”. Eu fui olhar e era uma tábua de passar roupa. Não preciso dizer que demos risada até morrer com meu pai fazendo pose na cama de king e minha tia com sua prancha de surf. A sensação era de estar em um casarão histórico de filme.
No dia seguinte fomos na famosa casa do Hemingway, Eu lembro de gatos. Toneladas de gatos para tudo que é lado. Cheiro insuportável de xixi de gato. Gatos do Hemingway, ou os filhos, os netos dos gatos, que vivem lá até hoje. Os gatos ficam pela casa, andando em cima das camas, dos móveis, e no fim eu prestei mais atenção naquela confusão de gatos que na casa em si.
Depois fomos fazer um passeio de barco que se tornou uma das aventuras mais inesquecíveis da família. “Turist trap” total. Um barco grande para mais de 50 pessoas, bem bacana, com o fundo de vidro para você ver os peixes e os corais. Como todo bom turismo nos Estados Unidos tinha um matracatrica “entertainer” que não parava de falar narrando tudo o que acontecia. Ele inventava o que falar pois não acontecia praticamente nada.
A combinação: chato falando com barco balançando e vidro no fundo, dá a mareada mais inacreditável do planeta. O barco inteiro passou mal. Eu passei mal, meu pai passou mal, minha tia passou mal, só minha mãe estava bem. Eu queria me jogar na água. No começo tentamos disfarçar, pois minha tia não queria ir com medo de marear. Meu pai deu uma escapada para o deck e levou um susto de ver metade das pessoas do barco deitadas brancas de tanto passar mal. Eu fui para proa para o vento e o tal ponto fixo dar uma aliviada, mas a coisa foi brava.
Voltamos para a terra, sem ver nada. Absolutamente nada. Talvez um peixinho qualquer e ficamos tontos até o outro dia de manhã. Descobrimos que minha mãe tem um labirinto fora do normal. Aguenta todas a Dna. Elca.
Essa viagem foi uma das mais engraçadas e divertidas da família. Rendeu risadas por anos.
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