BsAs com a mamãe

Antes de viajar com meu pai para Nova Iorque, eu comecei meu programa “família com rodinhas” com a minha mãe. Sempre tive um pouco de sorte em concursos. A Marjorie ficava bravíssima, pois eu ganhava todos os prêmios das festas da escola. Tanto que quando fui de gueixa em uma festa à fantasia na casa dela, ela não queria que eu ganhasse.

Ganhei duas passagens para Buenos Aires em um sorteio de uma festa da empresa. Combinei de ir com a minha mãe. Era a nossa primeira vez em terras portenhas. Ficamos em um hotel perto da Florida. Desses bem velhos tradicionais, mas com um certo conforto.

Minha mãe quando vai para qualquer lugar, é do tipo de turista, que quer fazer absolutamente tudo. Você está na Florida, ela já quer saber de San Telmo, você está em San Telmo, ela quer saber do Caminito. Ela não lê mapa que nem meu pai, mas é antenadissima. Se vira em qualquer língua. Bate-papo até com a sombra.

Ano passado fomos para Londres juntas, e dei muita risada ela falou inglês até com os gansos. Toda hora encostava alguém para bater papo. No avião, esperando no terminal, até no meio do Hyatt Park apareceu um casal gay de Goiânia para conversar com ela. Surreal. Mas o melhor mesmo foi ela batendo papo com o motorista de taxi em Bruxelas. Brasil? Brasil. Ronallldinho? Ronaldinho. Aí o motorista perguntou se ela era mãe do Michel. Não sabiamos falar sogra em francês e saiu: La mom du ma mer. E o motorista entendeu: Mom du merd? baita gargalhada no carro.

Eu tenho muita dificuldade de interagir com desconhecidos, meus pais são exatamente o contrário. Falam até com a parede.

Caímos em várias roubadas. Um delas foi um show de tango, caro pacas em San Telmo. Fomos arrumadas, e não tinha ninguém no lugar, mas foi divertido. Andamos de ônibus, de metro, de trem. Fomos na Ricoleta, no famoso cemitério ver a Evita, no Café Tortoni. Tomamos sorvete de dulce de leche con dulce de leche no Freddo. Me recuso a tomar em São Paulo. Freddo tem que ser em Buenos Aires.

Andamos pela cidade toda. Buenos Aires é estar na Europa em 2h30 de vôo. Que cidade agradável e bonita. A harmonia arquitetônica, os gramados gigantes, os parques, o porto, tudo me encanta naquela cidade. Depois dessa viagem com minha mãe eu voltei praticamente todos os anos para lá. Inclusive trabalhei em Buenos Aires. Desde 2006 eu resolvi não ir mais. A última vez que fui com o Mi, percebemos que perdeu o encanto, e resolvemos conhecer outras partes da Argentina. Fomos para Mendoza, para Patagonia, algumas vezes. Perdona los porteños, BsAs no más.

Todo ano minha mãe diz que vai levar meu pai para Buenos Aires. Passaram-se 20 anos e até agora nada.

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