Himoru Kira

Himoru Kira, nascido no Japão, em 1898, viveu no Hawaii e foi um fotógrafo “japanese-american” que na década de 1920 e 30 fez parte do movimento pictorialista. A foto pictorialista seria o que hoje estamos acostumados a ver. Fotos que abusam dos recursos de manipulação do Photoshop e outros softwares de edição de imagens, ou até do uso de lentes e filtros para distorcer os fatos.

Na virada do século 20, o movimento pictorial surgiu em oposição ao crescimento e o estabelecimento da fotografia “snapshot”. Os pictorialistas utilizavam a linguagem da pintura, sempre focando no objeto para enfatizar fotos como obras de arte. E nas palavras do crítico A.D. Coleman:

“Os pictorialistas sentiram-se com a liberdade de exercer total controle sobre o aspecto da imagem/objeto final, assim como sobre o acontecimento descrito por esta mesma. Os fotógrafos encenaram os acontecimentos (às vezes muito elaborados) frente à câmera e usaram qualquer recurso (desde lente com foco difuso até a manipulação do negativo) com o fim de obter uma cópia fiel que correspondesse com sua visão.”

Até então as fotos eram uma representação fidedigna da realidade.

Kira trabalhava em uma loja vendendo câmeras e um dia foi testar um equipamento caro que um cliente trouxe na loja. A fotografia The Thinker, hoje parte do acervo do LACMA de LA, foi feita na Hollywood Dam na década de 20. Sentado solitário no concreto da arena, o cliente está admirando o nada e esperando. Essa fotografia é simplesmente sensacional, e como todas da pequena série que encontrei de Kira trazem uma tranquilidade, um momento suave, onde parece que o silêncio, a quietude e só a magia da cena imperam.

Infelizmente por causa dos ataques a Pearl Harbor, muitos dos trabalhos de vários fotógrafos “japanese-american” dessa época se perderam.

Uma vez perguntaram a Kira porque ele fotografava e ele respondeu:

“De verdade, foi mais ou menos incidental que me tornei um pictorialista: primeiro, por mera curiosidade da câmera e de seus recursos, e depois pelo o interesse em receber os souvenirs das ocasiões; e finalmente, pelo prazer sublime em reproduzir a expressão criativa das coisas que surgem da nossa natureza criativa.”

E assim o acaso transformou um mero curioso em um excelente fotógrafo.

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