A moto.

Quando eu fiz 18 anos, abri uma conta no banco e fui tirar a carteira de motorista. Eu já sabia guiar, mas ter carteira e conta no banco eram símbolos de independência. E queria ter minha independência.

Na auto-escola me explicaram que eu poderia fazer a prova para o carro e a moto, pois já teria a carta para os dois tipos de veículos. Sempre gostei de moto. E lá fui eu fazer as aulinhas de moto e de carro. A prova de moto era bem simples, um circuito no estacionamento do DETRAN no Ibirapuera. Consegui passar e recebi a categoria Moto/Carro.

Era a primeira da turma a ter carta. Logo na semana que tirei a carta, a Tia Bete resolveu me emprestar seu carro para eu levar toda a patota numa festa. Saímos com o carro lotado. Eu consegui dar ré e entrar no meio de um fusca estacionado. Acabei com o fusca e com o DelRey. Acho que meus pais não sabem disso até hoje. Não lembro como ou se paguei o conserto, mas fiquei morrendo de vergonha por anos.

Sempre tive problemas com objetos imóveis. Nunca bati, mas em paredes, postes, postinhos, colunas de garagem e carros parados várias vezes. Todos os meus carros tem raladinhas em todos os lados. Quando não sou eu, alguém me bate.

A independência só seria completa se eu tivesse o meu próprio veículo, logo peguei todas as minhas economias e comprei uma moto de um vizinho que estava em estado de petição de miséria. Meu namorado, que por sinal conheci na auto-escola, foi dar uma volta no quarteirão, bateu em alguma coisa e a moto nunca mais andou. Não tinha grana para consertar e nem valia a pena. E assim ela passou anos ocupando a vaga da garagem e eu tentando me desfazer dela.

Minha mãe, sempre muito bacana, dividia o carro comigo. Primeiro tivemos uma Brasilia e depois um Voyage. E aí eu fui morar fora de casa com o namorado-futuro-ex-marido e compramos uma moto. Uma Honda 125. Eu andava na garupa.

Um belo dia resolvemos ir ao Pico do Jaraguá de moto. Logo na entrada da Anhanguera tem um posto da Policia Rodoviária. Fomos parados bem ali. Pediram os documentos. Só eu tinha carta. O guarda disse que para sairmos de lá, eu deveria dirigir. A última vez tinha sido na prova do DETRAN. Quem disse que eu conseguia ligar a moto. Eu ligava, ela dava aquele solavanco e morria. Fiquei uns 15/20 minutos nesse sufoco de tentar sair do lugar, suando, super nervosa, quando o guarda voltou e disse: “Bem, vou fingir que não vi. Você aí sem carta, pelo amor de Deus, saí dirigindo, pois vai ser bem pior com ela…”

Ficamos pouco tempo com essa moto. O transito super perigoso de São Paulo, a poluição e outros inconvenientes, fizeram a gente trocar a moto pelo famoso Omeleto.

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