PAZ.

Um dia acontece, com você, comigo, com qualquer indivíduo. De repente você acorda e começa a pensar o que afinal estamos fazendo por aqui? Anos correndo atrás do material e você começa a questionar o espiritual. Estou buscando a felicidade? evoluindo para uma vida futura? sofrendo para provar que sou forte? procriando, formando uma família? lutando para sobreviver? Qual é o sentido de tudo isso?

Para mim essas questões tornaram-se mais evidentes e importantes quando fiz 33 anos de idade. Data marcante. Idade de Cristo. Sempre fui ligada em pessoas que fizeram muito, viveram intensamente e morreram cedo. Ficava calculando quando é que eu ia chegar na idade de Cristo. Era um marco e um dia esse dia chegou.

Chegou e fez uma confusão absurda na minha cabeça. Sou nascida e criada na cultura judaica, mas nunca fui ligada na religião do ponto de vista espiritual, de ter uma figura que me motivasse a ir a sinagoga, um rabino, uma figura religiosa. Com 33 anos tentei entender o que era o judaísmo para mim. Se não era religião, se eu não me interessava pelos preceitos religiosos, afinal por que eu tinha tanto judaísmo dentro de mim. Essa resposta eu encontrei nas tradições e costumes. Eu me sinto judia, da mesma forma que um oriental tem seus costumes mais que enraizados. Para mim o judaísmo é formado pela herança milenar dos costumes da minha comunidade.

Nessa época eu praticava yoga. Comecei a ler tudo sobre yoga e me interessar pelas filosofias e religiões orientais. Descobri que como eu, haviam vários judeus com esse tipo de conflito, ao ponto de existir um termo para definir judeus budistas: jewbu, jubu, buju. Claro que nos Estados Unidos, onde tudo parece que pode.

E assim, cheguei no Dalai Lama, Tenzin Gyatso. O 14o Lama do Tibet. A figura do Dalai Lama é bastante interessante. Quando criança foi escolhido para ser o líder espiritual de um país pequeno encravado na ponta estratégica da China, o Tibet. E que teve que abandonar seu país, seus costumes, ir morar na India exilado, e mesmo assim ainda é a figura principal e respeitada como líder espiritual de um povo que foi massacrado pelos chineses. Mesmo com todo sofrimento e ainda no exílio, o Dalai Lama consegue transmitir mensagens de otimismo, fé, compaixão, vivência e convivência, tolerância para qualquer tipo de pessoa de qualquer tipo de religião ou não religião.

Nessa época comprei várias cópias de um livrinho, Meditações, com frases marcantes do Dalai Lama e dava de presente para todas as pessoas que eu considerava muito. Queria que todo mundo encontrasse esse momento de aconchego, como eu encontrei. Queria que todo mundo entendesse o que eu tinha entendido, através das simples palavras do Dalai Lama.

E o que eu entendi? Eu entendi que a felicidade é um momento efêmero. Como esse que estamos vivendo na Copa. Euforia, alegria, esquecemos todas as mazelas da nossa vida por aqui em prol de algo que nos conforta e nos deixa muito felizes: Torcer por 11 jogadores milionários correndo atrás de uma bolinha. Absurdo ou não é assim que encontramos momentos de felicidade. Como a felicidade é efêmera, ela termina exatamente quando acaba o momento que nos deixou felizes. Quer seja uma viajem bacana de férias, quer seja assistir um espetáculo de música emocionante, um filme bacana, se divertir em uma festa, passar o fim de semana na praia, fazer um churrasco com amigos ou seu time vencer o jogo. Temos o poder de nos sentir felizes nesses momentos, mas de repente esse euforia passa e a vida volta a ser o que era antes. Se sua vida está um cú, vai continuar um cú, se o país que você vive é uma bosta, vai continuar uma bosta. Mas você foi feliz naquele momento.

Agora o que realmente queremos é ter PAZ. E o Dalai Lama fala exatamente disso, que a busca pela PAZ é algo dificílimo de se alcançar. O dinheiro pode até trazer algum conforto e segurança material, mas não trás PAZ. Para ter PAZ, requer abrir mão de muita coisa. Requer ter o poder de perdoar, de ter compaixão pelo o outro, de ser mais altruísta e menos egoísta, de se satisfazer com pouco ou quase nada, de dar valor para um sorriso como você dá para um cheque de milhões, viver em harmonia com o próximo, se sentir leve, ser leve. A meditação ajuda a mente a entrar nesse estágio de tranquilidade, talvez por isso os indus/budistas meditem tanto, para se sentir em paz.

Para pensar.

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