Excessos. A diferença entre não ter e ter demais da conta. 

Ontem estávamos conversando, eu e o Mi, sobre a falta de vontade e de necessidade de ter mais alguma coisa. Temos tanto, que chegamos em um ponto de quase satisfação. Parece que realmente não falta nada, ou que mais alguma coisa não vai fazer grandes diferenças na sua vida. Talvez um novo gadget que ainda não lançaram…

Meus pais me deram dinheiro nesse último aniversário e minha mãe falou: “Eu quero que você compre alguma coisa para você”. Eu comprei um jogo de facas que cortam carne, pois as de casa não cortavam e duas xícaras de passarinho para minha coleção de xícaras de passarinho. Ela achou esquisitíssimo quando eu contei que comprei facas e xícaras. Mas era realmente o que eu queria. Nada de bolsa, nada de sapato, nada de roupa. Nem consigo usar tudo que tenho e olha que nem tenho tanto assim. Quando chega o aniversário dos meus sobrinhos passo dias quebrando a cabeça em que dar de presente. Eles tem tudo e parece que nem ligam para mais nada. Essa semana minha mãe me contou que a filhinha do meu primo André e da Lú, disse que não queria presente de aniversário, que ela queria em dinheiro para doar para alguém que precisa, pois ela tinha coisas demais. Já imaginou? uma adolescente com consciência de filantropia e excesso? achei genial!

Que acontece?

Acontece que a classe média e a alta entraram na roda louca do capitalismo selvagem e consumiram, consumiram, consumiram e perceberam que quanto mais consomem, nem felizes ficam. Ontem assisti vários TEDs. Fazia tempo que não assistia e como sempre, um talk, te leva para outro talk, e assim quando você vê passaram-se horas e você colado no computador assistindo os mais geniais pensadores do mundo. Todos os TEDs que assisti ontem eram de psicólogos, de Harvard, de Stanford, de outras grandes universidades americanas. Eles se dedicam a estudar o que deixa alguém realmente feliz, e os estudos são realmente impressionantes.

Cheguei a conclusão que somos “puppets”, fantoches, manipulados por “puppetier” (não sei como fala quem faz teatro de fantoches em português, fui olhar no dicionário: titereiro ou titeriteiro). Os “puppetier” são a imprensa, a propaganda e os políticos. Engolimos goela abaixo o que nos fornecem de informação. E como praticamente todas as pessoas não checam origem, não se aprofundam no tema, é fácil vender qualquer coisa. Até que OMO limpa mais, que o PT salva os pobres, que você realmente precisa daquela bolsa de milhares de reais. E aí, você trouxa-puppet-manipulado-facilmente, compra o OMO, vota no PT, e se mata para ter a porra da bolsa. E continua nessa engrenagem até que um dia você vai ficar que nem eu, comprando facas e xícaras de passarinho.

Ufa, quebrou uma que vou ter que repor!

Em um desses TEDs mostraram o número de mortos em diversos tipos de tragédia. Morrem 10 mil vezes mais pessoas afogadas, que em desastres de trem, avião ou em ataques terroristas. Você vê ou lê na imprensa os desastres mais cabeludos. Que deixam você com mais medo de avião e trem, que de nadar no mar ou em uma piscina. Outra, se você realmente calcular a chance de ganhar na loteria, você jamais jogaria. A imprensa mostra a alegria daquele 1 em milhões que ganhou e não o desapontamento dos milhões que perderam. Se noticiassem os milhões que perderam, diz que levaria 9 anos seguidos de imagens para cada rodada, perderia o élan. Mas, como disse um ouvinte da palestra, a pessoa até que no fundo no fundo sabe que as chances tendem a zero, mas joga pelo prazer de ter prazer em achar que vai ganhar por alguns dias. Esses estudos comprovam que o grau de felicidade de um bilionário com muitas coisas é igual ou inferior a pessoas que vivem na miséria.

Muito louco como funciona o nosso cérebro e nossas sensações. Caímos o tempo todo em ciladas que são muito fáceis de se perceber. E continuamos comprando.

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