O Ibirapuera.

Eu tinha uns 8 anos de idade quando ganhei minha primeira bicicleta. Eu lembro de ser uma berlineta vermelha. E lá fomos nós para a famosa Marquise no parque do Ibirapuera. Meu pai queria que eu andasse a qualquer custo sem rodinhas. Primeiro ele tirou a rodinha de um lado e fiquei andando perneta. Então ele tirou as duas rodinhas, deu uma certa distância e disse: “Vem filhinha que o papai está aqui esperando para te segurar”. Eu lembro de ter conseguido ir. E assim ganhei a liberdade e passava horas e horas correndo de bicicleta pela marquise, dando a volta no laguinho, que delicia que era isso. A marquise dava aquela sensação de imensidão. De poder pedalar, correr, correr, correr e só ter que brecar no tal do laguinho. Várias vezes perdia o controle e caia justo na cerquinha do laguinho. Meus joelhos eram os dois arrebentados de tanto cair no asfalto.

Essa semana o Ibirapuera faz 60 anos. Lembrei de tantas histórias como essa da bicicleta.

As pipas. Ficávamos na mesa da cozinha construindo pipas com papel de seda e varetinhas. E lá íamos nos soltar as pipas. Uma vez esquecemos de amarrar o início do fio, e putz, perdemos a linda pipa. Ficar olhando a pipa ir embora também era um programa. Com 11 anos chegaram as cadelas e meu tio passava em casa no domingo pela manhã para irmos na área dos cachorros passear com a Baghera e a Agata, as minhas dalmatas. Nas férias, minha mãe e minha tia, levavam eu, o Beno e o Beni para brincar. Lembro da gangorra, do escorregador todo enferrujado, e de uns túneis, adorava os túneis. Uma vez minha mãe perdeu a lente de contato no areião. E para achar? Lentes de contato nessa época eram artigo de extremo luxo, custavam caríssimo. Ficamos um tempão procurando. E um cara encontrou. Acreditem se quiser, no meio da areia. E o Museu da Aeronáutica? hoje a Oca. Adorava ir ver os aviões.

Depois crescemos e vieram as bicicletas de verdade. O programa mudou. Saíamos de casa na Vila Mariana: eu de Ceci, meu pai de Caloi 10 e o Beno na berlineta. Descíamos a Sena Madureira no maior pau, atravessávamos a passarela do DETRAN e pronto: Ibirapuera. Morando nos Jardins, já adulta o programa era o mesmo. Só que descíamos a Pamplona no maior pau. O problema era voltar. Eu chegava praticamente enfartada, totalmente sem ar e mais empurrando a bicicleta ladeira acima que andando. Tiveram também os patins. Eu e a Raquel adorávamos passear na marquise. Depois foram os inline e mais uma vez na marquise. Aí me aventurei no skate. Pumba. Tomei um tombo na primeira tentativa e fiquei com o cotovelo e joelhos ralados. Isso aconteceu no fim de semana na véspera do meu casamento. Casei com base no cotovelo.

Compramos alguns frisbees em uma viagem para Amsterdam. O dono da loja nos explicou que além de você poder lançar o frisbee de uma pessoa para a outra, existia um esporte chamado Ultimate. E lá fomos nós descendo a Bela Cintra até o Ibira jogando frisbee. Chegamos no Ibira e um cara nos parou e contou que de sábado a tarde uma turma se reunia perto do Porquinho para jogar. E assim o Ultimate entrou na minha vida, eu tentei jogar, mas não tinha fôlego de correr tanto. Passei muitos fins de semanas assistindo os jogos e conheci uma turma muito bacana.

Meu pai e minha mãe se aposentaram e começaram a andar no Ibira. Um belo dia, eu resolvi ir junto. Minha mãe já tinha desistido, e comecei a me encontrar com meu pai pela manhã para caminharmos. Estacionava o carro logo na entrada do lago das fontes. Começávamos com o alongamento e depois uma volta inteira no parque, uns 3 km, batendo papo. Aí nasceu o Pedrinho, meu sobrinho lindo e ele adorava as bis, as pombinhas, tomava litros de água de cocô e dava pipoca para as bis. E mais muitas e muitas histórias em meus 47 anos de parque, além da parte cultural, MAM, Bienal, Auditório Ibirapuera e agora o MAC.

Ibirapuera, adoro!

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