Mira Schendel

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Nasceu em Zurich 1919 e faleceu em 1988 em São Paulo. Estudou arte em Milão. Considerada uma das maiores artistas latino americanas do pós-guerra, junto com Lygia Clark e Hélio Oiticica. Durante três anos as curadoras Taissa Palhares, da Pinacoteca de São Paulo e Tanya Barson, da TATE Modern de Londres, estudaram profundamente o trabalho de Mira. Poucas obras pertencem a museus o que dificulta a pesquisa sobre a artista. Também pouquissímas vezes tiveram exposições individuais, no Brasil ou fora do Brasil. A exposição de Mira Schendel teve sua inauguração na TATE Modern em setembro do ano passado, depois passou pelo Museu de Serralves no Porto em Portugal e agora podemos visitá-la na Pinacoteca de São Paulo até 19 de Outubro.

A importância de uma exposição individual de uma artista com obra tão importante em um dos mais importantes museus do mundo, a TATE, é algo inquestionável para a arte contemporânea brasileira. Vivemos muitas décadas fechados em um circuito onde a arte brasileira, artistas, colecionadores, curadores, críticos se retro-alimentaram sem que ultrapassassem as fronteiras desse grande Brasil. Mira Schendel na Tate é um grande marco dessa expansão de fronteiras, além de ser importante para nós brasileiros para conhecermos o trabalho dessa grande artista, cujo nome nos é bem familiar, mas cujo trabalho ainda era um tanto difícil de entender e conhecer.

Visitar a exposição sem ler e entender Mira e sua obra pode causar um certo estranhamento. Mira era uma figura delicada com semblante triste que sempre se vestia de preto, em uma época onde o preto não era moda. Cores tristes, muitos vazios, desenhos as vezes primários, materiais nada nobres. Através da leitura e do conhecimento, sua obra ganha uma dimensão e uma grandeza inacreditável. Chega até a um questionamento humano, a uma sensação de solidão, de tristeza, de paz, de confusão, sempre delicada. Mira era delicada na sua forma de questionar o mundo e demonstrar seu descontentamento. A instalação Ondas Paradas de Probabilidade, completa esse entendimento de confusão, de falta de clareza em raciocino, visão, e com uma leveza absurda.

Como diz sua única filha Ada Schendel: “A Mira nunca ultrapassou a sua vida, a sua mãe, a sua dor. Toda a sua vida foi dolorosa. Todas as suas relações — comigo, com os amantes, com os amigos — foram difíceis. Ela não acreditava numa vida feliz.”

Emociona entender um pouco a sua vida. Uma imigrante que nasceu em Zurich de uma família já perseguida pelas guerras. Sua mãe judia se converteu ao catolicismo. Morou em Berlim e em Milão. Veio ao Brasil em 1949 por Porto Alegre e era conhecida como a artista italiana, já com mais de 30 anos. Sem recursos, usava materiais baratos. Suas obras de pintura são muito densas apesar da falta de elementos e cores. Ao vivo percebesse a textura, lembrando uma terra. Mira encanta, acalma e perturba ao mesmo tempo. A quantidade de referências filosóficas, semióticas, as diversas línguas que deviam embaralhar seu cérebro, o fato de não pertencer a lugar algum, por ter vivido e experimentado tantas culturas diferentes, caminham do concreto, para o neo-concreto, o pop art, resultam no Mira art. Genial não percam. Assistam o video da TATE e leiam o artigo do Publico, de Portugal. Sua experiência será muito mais interessante.

Mira por Haroldo de Campos, seu grande amigo:

“Uma arte de vazios/ onde a extrema redundância começa a gerar informação original/ uma arte de palavras e de quase palavras/ onde o signo gráfico veste e desveste vela e desvela/ súbitos valores semânticos/ uma arte de alfabetos constelados/ de letras-abelhas enxameadas ou solitárias (…)/ uma arte onde a cor pode ser o nome da cor/ e a figura o comentário da figura/ para que entre significante e significado/ circule outra vez a surpresa/ uma arte-escritura / de cósmica poeira de palavras/ uma semiótica arte de ícones índices símbolos/ que deixa no branco da página seu rastro numinoso”.

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