Paulo Climachauska

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Nasceu em São Paulo em 1962. Paulo estudou historia e começou sua carreira artística com uma técnica um tanto quanto incomum. Baseada na economia capitalista onde tudo se soma, ou seja quanto mais produzirmos, mais consumimos, a arte de Paulo fala de uma economia ao contrario, da subtração. O menos, ter menos. E assim suas linhas são contas matemáticas de subtração que sempre terminam em 0 0 ou como ele explica o infinito. O resultado são obras que se apropriam de projetos arquitetônicos conhecidos e que muitas vezes são invadidas pela natureza. Original, harmônica e encantadora. Nessa mesma linha de raciocínio seus objetos feitos de latão lembram uma fita métrica, que teoricamente deveriam medir e nesse caso remetem outra vez a subtração e ao infinito.

Paulo trabalha com vários suportes, tamanhos e formatos. Na Bienal do Mercosul de 2011 apresentou duas obras muito interessantes, o famoso jogo de criança de varetas, mas na verdade baseado na obra de Cortazar, Rayuela (ou jogo de amarelinha). Em Rayuela, Cortazar propõe que a leitura seja feita em uma ordem totalmente fora do roteiro convencional ou você escolhe a ordem dos capítulos. Dessa mesma forma essa obra, Modelo para Armar, é feita com varetas de 3m20 de comprimento que são atiradas ao solo através de um mecanismo automático formando desenhos, criando uma sinfonia de varetas, um colorido muito bonito e rodeadas por imagens das próprias varetas sendo tiradas uma a uma ate sobrar a vareta preta a mais importante do jogo. Cada vez que as varetas são arremessadas ao solo, a sinfonia e a organização das varetas mudam completamente.

Outra obra que foi concebida em 2007, mas na época da Bienal era o assunto em voga, é o Complexo do Alemão. Nessa obra Paulo enxerga o Alemão como um pais com exercito próprio comandado pelos traficantes, fronteiras, identidade, dimensão própria, encravado no Brasil. Nesse pais a bandeira do Brasil é preta, o passaporte ao invés de ter a foto das pessoas tem um buraco preto. Ou seja, questiona a violência, e justo na época que estavam tentando pacificar o famoso complexo.

Conhecer a obra de Climachauska, por Climachauska é viajar em conceitos profundos com referencias de uma pessoa extremamente culta e intelectualizada e que tem um controle quase de engenheiro/arquiteto sobre sua criação artística e com resultado que encanta. Principalmente conhecendo a profundidade e explicação sobre cada obra.

A arte tem que provocar, encantar, não necessariamente ter significados tao profundos. Nem todo artista sabe com tamanha profundidade porque concebeu determinada obra. Muitas vezes percebesse que por uma exigência do mercado o artista ou o critico/curador tentam encontrar significados e fica aquele discurso vazio sem propósito. Ja a obra de Climachauska consegue encantar e trazer questões muito importantes e contemporâneas. Subtrair é realmente a resposta. Esta muito claro que somar ou acumular ou ter demais não esta fazendo muito sentido.

Climachauska é representado pela Galeria Leme de SP e pela Lurixs do Rio de Janeiro, que esta com a exposicao Natureza Economica ate 3 de outubro. Sua obra pode ser vista em exposições e bienais pelo mundo todo.

Uma bela reflexão para o começo da semana. Ter menos é ter muito mais! Boa semana para todos.

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