Lydio Bandeira de Melo

Esse meu texto de hoje é uma homenagem ao único artista moderno brasileiro ainda vivo, cujo trabalho é considerado uma extensão da obra de Portinari. E que na minha opinião deveria estar em todos os museus do Brasil e do mundo. Fui apresentada a Bandeira de Mello por sua filha Monica Bandeira. Conheci a Monica fazem apenas alguns meses em um evento do meu amigo Schlomo Bob. Éramos três mulheres entre uns 30 homens e claro que nos juntamos em um longo bate papo sobre absolutamente tudo. Ela comentou que seu pai era artista plástico. Perguntou se eu o conhecia eu disse que não. Contou que ele dava aulas de pintura e principalmente de modelos vivos. E ficou por isso. Esses dias a Monica postou algumas obras primas do Mestre Bandeira de Mello, como é chamado. E fiquei maravilhada. Como sempre pesquisei o máximo que consegui e queria compartilhar com vocês. Bandeira de Mello, nasceu em 1929 em Leopoldina, Minas Gerais. Começou a pintar com 6 anos de idade. Com 17 resolveu que iria seguir a carreira de pintor e a família se mudou para o Rio de Janeiro, onde cursou a Escola Nacional de Belas Artes (ENBA) e foi mestre durante muitos e muitos anos. Em 59 participou da V Bienal. Em 61, ganhou como prêmio estudar na Itália, onde passa 3 anos e é convidado a pintar os afrescos para a igreja do Santuário de Poggio Bustone no Vale de Rieti. Bandeira de Mello ainda dá cursos de pintura e costuma formar vários artistas conhecidos. Seu trabalho é de uma técnica impressionante. A luz, a capacidade de retratar as expressões humanas, as cores. Como ele mesmo diz, é um caso raro de artista que ainda tem a técnica apuradíssima. Segundo Bandeira de Mello ele retrata a dificuldade do ser humano em lutar pela vida. Você percebe nas expressões dos seus personagens e nos temas representados. Pesquisando sobre seu trabalho, fiquei mais encantada ainda pela pessoa. Homem muito bonito, com um discurso muito bem elaborado, de uma família de intelectuais e ainda toca violão clássico, que eu adoro. Sua última exposição foi em 2009 na Caixa no Rio e em Curitiba. Na década de 70 ganhou um concurso para fazer dois imensos painéis no edifício da Caixa, que podem ser visitados no Rio de Janeiro. Fiquei pensando: “Por que seu trabalho não é tão conhecido?”. Talvez por ter se dedicado mais ao lado acadêmico. Não sei. Mercado de arte e qualidade artística não são algo que se possa entender muitas vezes. Bandeira de Mello me emocionou profundamente. A sensação que tive foi a mesma de ver a obra de Portinari, de Monet, de Botticelli, todos os renascentistas, de Van Gogh. Encontrei referências de todos, e ao mesmo tempo de ninguém, transformando suas pinturas, desenhos e estudos em uma verdadeira aula sobre pintura. Em 2006 fizeram uma excelente entrevista, onde Bandeira de Mello fala sobre sua técnica, sua obra, sobre sua leitura da arte contemporânea sempre com o violão clássico ao fundo. Fala também sobre algo que realmente me incomoda, a arte efêmera. A falta de técnica, de cuidado em acabamentos, mas que fazem parte de um novo contexto, onde acredito, como ele, que vai perdurar quem tiver realmente mais cuidado em perdurar. Jorge Coli, colunista da Folha e professor de História da Arte da Unicamp, sobre a mostra na Caixa: ‘Há ali as grandes tristezas dos que morrem pobremente, dos que dormem nas ruas, dos que trabalham com esforço e dureza. Há a raiva violenta, animal, comunicando-se entre homens e cães, mística do inferno que brota em noturnos horripilantes, em brumas demoníacas. Há assuntos religiosos, cuja espiritualidade paira além das crenças e das igrejas. Há solidões isoladas em campos desertos, que evocam as invenções da pintura metafísica, mas sem nenhuma receita aplicada, com o gosto pelas ricas massas pictóricas e cromáticas. Há nus femininos, traçados com amorosa sensualidade. Os temas nunca se prendem à circunstância, à crônica ou à descrição corriqueira: tendem sempre para a generalidade sintética e universal. … Suas obras são lições de constância, invenção e presença: elas exaltam e consolam. Mantêm-se fiéis a uma elevada e nobre concepção de arte que lhe assegura a permanência e é bem rara hoje em dia.“ Monica, quando vamos visitar seu papi?

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