Candido Portinari

Candido Portinari

Nasceu em 1903 em uma fazenda de café próximo a Brodowski no interior de São Paulo. A sua família de imigrantes italianos não tinha muitos recursos e Portinari fez apenas o primário. Logo na infância foi convidado a ajudar em um trabalho de restauração de uma igrejinha, onde descobriu seus dotes para a arte. Mudou-se para o Rio de Janeiro aos 15 anos e estudou na Escola Nacional de Belas Artes. Participou de vários concursos até que em 1928 ganhou uma bolsa para estudar em Paris. Apesar de ter vivido pouco sua produção foi intensa, mais de 5.000 obras, catalogadas pelo seu filho João Cândido, responsável pelo projeto que organiza seu acervo, e mais de 16.000 documentos.

Portinari morreu em 1962 envenenado pela intoxicação do chumbo das tintas que trabalhava. Mesmo sabendo do veneno que usava  desde 1954, não deixou de pintar. Tentou a carreira política, filiou-se ao partido comunista. Ficou exilado no Uruguai. Teve amigos poetas, intelectuais, políticos. Foi muito reconhecido em vida no Brasil e no exterior. Em 1939 o MOMA de Nova Iorque, adquire a obra “Morro do Rio” e logo depois organiza uma exposição sobre o artista em 1940.

Dedicou-se aos afrescos sendo o mais importante e deslumbrante o painel de 14mx10m que foi doado a ONU em 1957 chamado Guerra e Paz. A obra de tamanho gigantesco retrata dois mundos, um cinza, azulado repleto de guerras e pobreza e outro pueril, onde crianças brincam, cores pastéis, onde brilha o sol, a terra e o céu.

Recentemente seu filho João Candido, depois de anos e anos de esforço, conseguiu restaurar o painel e levá-lo para passear pelo mundo. Primeiro foi apresentado ao Brasil, no Rio de Janeiro e em São Paulo. Esse ano esteve em Paris. A mostra além de exibir os dois gigantes afrescos de maneira didática através de projeções, ainda trás o acervo dos pré-desenhos e estudos. Realmente impressiona, como a Guernica, que foi a fonte de inspiração para Portinari. Apenas 5% da obra de Portinari está disponível para visitação pública, a maioria faz parte de acervos privados e da coleção da família.

Portinari é considerado um dos maiores pintores brasileiros. Na minha opinião, o maior pintor moderno brasileiro e um dos maiores pintores do mundo. Sua obra retrata o cotidiano da vida do brasileiro, sempre trazendo marcas importantes como o olhar, o entorno, o dia-a-dia como a famosa obra “O Lavrador de Café”. A força das expressões humanas são características marcantes de Portinari. Vários afrescos de Portinari fazem parte dos conjuntos arquitetônicos brasileiros, como o da Capela da Pampulha de Niemeyer em Belo Horizonte.

Em 1956, Portinari e sua esposa foram convidados a conhecer o recém criado Estado de Israel. Essa viagem de um mês percorrendo diversas cidades e kibutzim, teve como fruto 122 obras, entre pinturas, desenhos e esboços.

Visite o Museu Casa de Portinari em Brodowski ou fique de olho na próxima aparição de Guerra e Paz.

E principalmente, conheça o imenso acervo catalogado no site http://www.portinari.org. A quantidade de obras é tanta, que fica difícil selecionar. Só o conjunto Guerra e Paz tem 197 trabalhos entre pinturas, esboços e estudos.

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