31a Bienal de São Paulo

Visitar a Bienal de São Paulo é sempre uma experiência única, que começa com a exuberância da arquitetura de Niemeyer e termina em tentar entender a proposta dos curadores. Levam dias, às vezes semanas, para que seja possível digerir mais de 100 obras de quase uma centena de artistas, que teoricamente conversam entre si e propõe questionamentos, espalhadas em um espaço tão gigantesco.

O espaço é dificílimo para a expografia, já que todo o seu entorno é de vidro e as curvas sempre brigam com o que está exposto. E, independente do conteúdo da exposição, as rampas em curvas são sempre as mais fotografadas. De qualquer forma, deve ter sido um tremendo desafio, para o arquiteto israelense Oren Sagiv, trabalhar nesse espaço gigante.

As obras dispostas pela parte mais exuberante da arquitetura, as rampas em curvas, pareciam acompanhar o movimento de Niemeyer e bailar com ele em seu projeto, nada prático, e apenas bonito de se ver. Como praticamente todos os projetos de Niemeyer. A Oca em São Paulo, Museu da República em Brasilia, entre outras obras esféricas com pé direito altíssimo e impossíveis de se trabalhar. Mas, o assunto não é a arquitetura de Niemeyer e sim os trabalhos e a proposta da 31a Bienal.

Em Junho saiu a lista dos principais artistas convidados e quem seriam os curadores. Fiz uma breve pesquisa, principalmente em relação aos jovens talentos brasileiros e esperava ansiosa pelo trabalho de Éder de Oliveira e Thiago Martins de Melo. Pelo visto, acertei, pois são exatamente os dois trabalhos que mais chamam a atenção.

Éder de Oliveira trás seus  rostos, ora pintados em muros de Belém do Pará, para dentro do pavilhão e cria uma série de expressões de criminosos muito fortes, sofridas, muito brasileiras, em tamanho gigante, cores entre o vermelho, marrom, alaranjado. Já Thiago Martins de Melo, cria uma instalação para abrigar suas telas a óleo como se fosse um ritual, uma homenagem aos mártires amazônicos. A obra de Thiago, artista jovem maranhense, é sempre muito dramática, retrata a morte, religião, conflitos e dessa vez esse trabalho se apresenta de forma ainda mais monumental, pelo seu tamanho.

Outra obra que chama muito atenção justamente por aproveitar as curvas do espaço é o projeto do artista libanês Walid Raad. Em painéis coloridos, Raad retrata texturas típicas de paredes do oriente, trazendo uma proposta de como seriam essas paredes em museus sobre a arte das “arábias” em qualquer  outra cidade do mundo.

O título da Bienal “Como (…) coisas que não existem”, possibilitou aos artistas abordarem questões como a diversidade, o antagonismo e as divergências religiosas, o aborto, a sobrevivência do planeta, a corrupção entre outras questões que populam a nossa vida cotidiana.

Sem grandes revelações ou grandes obras, fica a dúvida qual é o papel da Bienal Brasileira, discutir questões psicológicas e filosóficas, difíceis de se entender, se é que são compreensíveis ou revelar verdadeiros novos talentos e falar de arte?

Até 7 de Dezembro, visite o Pavilhão da Bienal no Ibirapuera.

Anúncios

Deixe um comentário

Faça o login usando um destes métodos para comentar:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s