Hélio Oiticica, patrimônio brasileiro para humanidade.

Nasceu em 1937 em uma família anarquista no Rio de Janeiro. Estudou em casa até os 10 anos. A família morou nos EUA de 1947 até 1954. Fez parte do famoso Grupo Frente de Ivan Serpa, com Lygia Clark, Lygia Pape, Ferreira Gullar. Sua obra como a de Lygia se divide em fases: Grupo Frente, Sêcos, Metaesquemas, Série Branca e Bilaterais, Relevos Espaciais, Bólides, Penetráveis, Parangolés.

Oiticica fez tudo que queria fazer em seu curto espaço de tempo, viveu intensamente até 1980, quando faleceu aos 43 anos. Entre sexo, drogas e muita piração teve seu tempo em Londres em 1969. Cunhou o termo Tropicalia, que na verdade era uma obra retratando uma favela. Foi um dos mais importantes artistas do século XX, junto com Lygia Clark, participou da transição do moderno, concreto, neo-concreto, abstrato para a arte contemporânea. Viveu o Brasil. Retratou o Brasil real, era contra o Brasil intelectualizado, como diz seu texto verborrágico “Brasil Diarreia”, tão pertinente nos dias de hoje, que parece que foi escrito ontem, a convi-conivência do brasileiro é insuportável. Um maria-vai-com-as-outras, um conformista, será que vamos mudar?

Em Metaesquemas, Oiticica criou mais de 350 obras, ainda muito novo antes dos 20 anos. Composições belíssimas geométricas, concretas, cores fortes. Oiticica percebeu a importância das cores, do degradê,  da luz sobre as cores, do espaço e partiu para os chamados relevos espaciais.

Oiticica viveu na favela, no Morro da Mangueira. Retratou essa marginalidade brasileira nas suas instalações como Tropicalia e nos Penetráveis. Utilizava os materiais rudes dessa construções, as cores, os movimentos, as texturas. O público participando da obra, como Lygia Clark, tocando, sentindo. Os parangolés são a ode ao Carnaval. Roupas impossíveis de vestir, que você precisa praticamente sambar. Elas sambam sozinhas, já que não tem lugar para por a cabeça, braços, você fica virando os tecidos para se sentir mais confortável neles, ou procurar o tal buraco e aí dança. Dezenas de parangolés.

Entendi Oiticica o dia que fui para Inhotim e visitei a obra Cosmococa. Uma viagem claro de drogas, mas muito bem feita sem drogas. Quatro salas em uma construção fechada, cada uma com uma experiência diferente. A primeira redes, projeções e uma música do saudoso guitarrista gênio, Jimi Hendrix, na outra uma piscina no escuro, pois é…na outra uma espécie de piscina de bolinhas. Todas bem alucinógenas, Cosmococas sem coca. Para entender Oiticica tem que sair do lugar comum, tem que ser provocado. Tem que mergulhar em uma piscina no escuro, ou ouvir Jimi Hendrix deitado em uma rede. Tem que vestir um parangolé.

A importância desse artista brasileiro foi descoberta pelos críticos internacionais e foi feita uma grande retrospectiva na Tate Modern em Londres e no Houston Museum em 2007. Hoje, o Oiticica tem um acervo permanente na Tate. O Itaú Cultural também fez uma retrospectiva em 2012. O seu sobrinho Cesar Oiticica Filho acabou de lançar um documentário premiado “Hélio Oiticica, o filme” e é o responsável pelo acervo no Rio de Janeiro.

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