Cildo Meireles, o mais carioca dos nossos artistas contemporâneos.

 

Nasceu no Rio de Janeiro em 1948, mas passou parte da juventude entre Goiânia, Belém e Brasília. Aos 10 anos a família mudou-se definitivamente para Brasília e Cildo iniciou seus estudos em arte por lá em 1963. Seu grande mestre foi o pintor peruano Barrenechea, de quem Cildo guarda grandes recordações e tem muita admiração. Aos 19 anos, 1967, Cildo retorna ao Rio de Janeiro e ingressa na Escola Nacional de Belas Artes.

A juventude de Cildo foi marcada pelo AI5, a censura, os tempos da ditadura e a sua obra traz muita referência da dificuldade desses tempos difíceis. Considerado um dos maiores expoentes no mundo da arte conceitual, Cildo utiliza toda a espécie de materiais e suporte para criar as suas obras.

Algumas bastante emblemáticas como o projeto Coca-Cola. Cildo utiliza o suporte, garrafa de Coca-Cola retornáveis de vidro, para imprimir mensagens em silk-screen. A obra utiliza um conceito já utilizado por Duchamp de se apropriar de algo pronto e transformar em obra, ready made. Mas ao revés, já que as garrafas podiam retornar as gôndolas do supermercado, cheias com as mensagens grafadas em silk. Como se tivessem sido “hackeadas”. Mensagens como fora yankees, entre outras que questionam o capitalismo, o consumismo, o eterno subjugo das potências e ainda, utilizando a marca mais poderosa do mundo.

Nessa mesma lógica Cildo carimbou a frase: “Quem matou Herzog?” em cédulas de cruzeiro. A sua ideia era utilizar o dinheiro, como meio de comunicação, por ser algo que circula na mão de milhares de pessoas, já que naquela época a censura não permitia que tivéssemos liberdade de expressão. Depois vieram a série Zero Dólar e Zero Cruzeiro, sempre em crítica ao capitalismo. Nessa época vivíamos em uma inflação galopante e o papel moeda não valia grandes coisas.

E assim, com a criatividade sempre aflorada, Cildo criou o Desvio do Vermelho. Uma instalação, onde na sala principal, todos os objetos são em tons de vermelhos. Os objetos não são pintados e sim uma coleção de sofá, almofadas, enfeites, quadros, tapete, tudo compondo essa experiência vermelha. Em outra sala escura uma pia escorre um liquido vermelho em direção ao ambiente vermelho. Essas instalações provocam as pessoas a refletirem e pensarem nas referências que levaram o artista a executar tal obra. Como a própria ditadura, as guerras, o comunismo, ou seja a obra é carregada de simbolismo e diversas interpretações. Uma instalação permanente de Desvio do Vermelho faz parte do acervo de Inhotim.

Outra instalação marcante é Através, uma área muito grande em formato de labirinto coberto de cacos de vidro e que leva o espectador a ter que andar cuidadosamente, desviar de fios de arame farpados, passar por cortinas, causando um estranhamento, a sensação de estar em uma área de guerra, ou simplesmente ter que passar pelos desafios da vida, em cada barreira.

E assim permeia toda a obra de Cildo, um carioca da gema, que vive alheio ao seu sucesso internacional no meio de centenas de materiais e projeto de novas obras em sua casa no Rio de Janeiro. Cildo foi o primeiro artista brasileiro vivo a ter uma exposição na TATE Modern em Londres em 2009.

A galeria Luisa Strina representa o artista em São Paulo, que possui o acervo de obras como quadros e objetos, além das gigantescas instalações.

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