Roberto Burle Marx, o pintor das plantas.

Nasceu em 1909 em São Paulo. Era o quarto filho de Cecília Burle, pernambucana de família tradicional, e de Wilhelm Marx, judeu alemão. Em 1913 a família mudou-se para o Rio de Janeiro. Entre 1928 e 1929, Roberto teve um problema nos olhos, e a família foi para a Alemanha em busca de tratamento. Em Berlim estudou pintura no ateliê de Degner Kemn e conheceu o Jardim Botânico de Dahlen. Roberto ficou maravilhado com a diversidade da flora tropical brasileira e abismado de conhecê-la de tão longe. Na época os jardins brasileiros eram todos copiados dos jardins europeus. De volta ao Rio de Janeiro, estudou na Escola de Belas Artes e passou a cultivar plantas nos jardins da casa da família no Leme.

A partir dessa constatação, na Alemanha, Roberto passou a se interessar por todas as espécies nativas brasileiras e se tornou um botânico auto-didata. As bromélias, entre outras plantas naturais da Mata Atlântica, se tornaram valorizadas e populares por causa de Burle Marx.

Sabendo do seu conhecimento em botânica o seu vizinho e amigo, o grande arquiteto modernista, Lucio Costa, convidou Burle Marx a criar projetos de jardins e terraços. Nasceu assim, a relação com Lucio e Niemeyer, que levou Burle Marx a grandes projetos como o Eixo Monumental de Brasília e o terraço-edifício Gustavo Capanema, antigo Ministério da Educação e Cultura no Rio.

Até então nem existia a profissão de paisagista. Burle Marx aliou seu conhecimento em arte, a sua curiosidade obsessiva por plantas e passou a literalmente pintar espaços planejados em residências, fazendas, parques e grandes projetos. Manter essas verdadeiras pinturas vivas não é nada fácil, mas o resultado e a beleza são realmente deslumbrantes. Essa nova forma de projetar chamou a atenção de grandes arquitetos e paisagistas internacionais e Burle Marx tornou-se referência mundial. Precursor do movimento que valorizava as formas orgânicas dos jardins, espaços para contemplação e lazer, seus projetos eram totalmente revolucionários para a época.

Entre os projetos mais famosos estão o paisagismo do Aterro do Flamengo e os calçadões de Copacabana. O calçadão em pedra portuguesa em formato de onda é anterior a Burle Marx. Ele mudou a direção das ondas em seu projeto e incluiu a parte central e da calçada dos prédios. São 4 km de uma obra de arte em pedras portuguesas de diversas cores.

Além de paisagista, Burle Marx foi pintor, escultor, azulejista, desenhava jóias, tapetes, tecidos e cantava maravilhosamente bem opera. Um dos seus maiores legados é o Sítio Burle Marx em Guaratiba, Rio de Janeiro. Esse sítio foi comprado em 1949 e lá, Burle Marx colecionava espécies de plantas de todo o mundo. Pode ser considerado um parque botânico tamanha a quantidade de espécies. Burle Marx fez expedições para buscar espécies por todas as principais regiões brasileiras e trazia mudas de viagens internacionais. Ele viveu nesse sítio a partir de 1973, onde fazia grandes festas com o objetivo de vender quadros e poder manter o espaço. Hoje o patrimônio é do IPHAN e foi doado por Burle Marx, que não tinha herdeiros direto, ainda em vida.

Burle Marx faleceu aos 84 anos em 1994 deixando um legado de mais de 2 mil projetos em seis décadas de produção. O seu estúdio de paisagismo, fundado em 1955, é dirigido até hoje pelo o seu fiel discípulo: Haruyoshi Ono. O Sítio em Guaratiba, a sua maior obra, com as coleções botânica-paisagística, artística, arquitetônica e biblioteca tem uma área de 400 mil m2 e é aberto a visitação. Além das 3.500 espécies de plantas cultivadas, o acervo possuí mais de 3.000 itens, que englobam inclusive a coleção de cerâmicas primitivas pré-colombiana, arte popular brasileira, esculturas e cerâmicas do Vale do Jequitinhonha, parte do acervo pessoal de Burle Marx. Vale muito a visita.

O companheiro de Burle Marx, Cleofas César da Silva é exímio cozinheiro e chef de cozinha e era responsável pelos banquetes que serviam aos convidados no domingo. Até nessas refeições o talento de Burle Marx regia, ele orientava César a sempre fazer saladas bem coloridas. As mesas eram maravilhosamente bem postas e decoradas com folhas de bananeiras e flores do sítio. Em 2008 Cecília Modesto, Claudia Pinheiro e César lançaram o livro, A Mesa com Burle Marx, que retrata 60 receitas repletas de ingredientes exóticos e reconstitui o cenário e a intimidade desse gênio. César recebeu sua parcela na herança e durante muito tempo manteve o César, restaurante especialista em frutos do mar, na região de Guaratiba.

Em Maio de 2016, o Jewish Museum em New York recebe a exposição “Roberto Burle Marx, Brazilian modernist”, que segue em 2017 para Berlim e depois para o MAR no Rio de Janeiro. Nessa exposição 140 obras, entre pinturas, esculturas, cenários, tecidos, projetos de paisagismo, tapeçarias, jóias são apresentadas. Também vale a visita.

“ Napoleão 15 Agosto 1769”

Na minha época de EKB, Ester Krivkin Bijoux, fiz uma pesquisa enorme sobre beading, a técnica de amarrar bolinhas muito popular no Japão e o mais antigo acessório de moda humano. Afinal amarrar duas bolinhas em um cordão é mais antigo que os homens das cavernas.

Os beads são as bolinhas, pedraria com furo, que usamos para criar as bijoux. Qualquer tipo de pedra, semi-preciosa, de plástico, de cristal, de murano, de metal, de ouro, de prata, de bronze, de ceramica, de barro, de madeira, até de semente, é um bead. Os beads me levaram para as jóias, pois queria entender melhor as pedras preciosas e semi-preciosas. As jóias me levaram para história. Eu acho bárbaro entender a história através dos costumes, quer seja moda, quer seja culinária.

Nesse estudo eu descobri a acrostic jewlery, ou as jóias que falam, pois tem algum significado. No final do século XVIII na França, Inglaterra, era comum se presentear os entes queridos com jóias onde era possível ler alguma frase, através das pedras cravadas. Cheguei até fazer uma pulseira de beads imitando essa técnica, inspirada nesses braceletes de Napoleão. Tenho esse fascínio por Napoleão. Napoleão encomendou vários braceletes acrostic para comemorar suas conquistas, nascimentos, casamento, e outros eventos.

Os primeiros três braceletes se lê:

“ Napoleão 15 Agosto 1769”
“Marie Louise 12 Dezembro 1791”
“ 27 Março 1810, 2 Abril 1810” , data dos primeiros encontros com Marie Louise.

Muito romântica essas peças, me encantam cada vez que olho. Uma semana com muito amor e energia positiva para todos.

Os 50 ovos imperiais de Fabergé

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Essa semana li uma matéria curiosa sobre uma pessoa que comprou por U$ 14.000,00 em um antiquário um ovo Fabergé, não original, mas de ouro, e acabou descobrindo que era um dos 50 ovos imperiais, que valem algo como U$ 30.000.000,00. Nada mal.

Eu vi em NY no Metropolitan na década de 90, uma exposição de jóias e ovos iconicos de Fabergé e fiquei deslumbrada. A precisão, os detalhes, a quantidade de ouro, de pedraria, as cravações em diamantes, rubi e outras pedras, marfim, os desenhos em enamel, os temas, tudo maravilhoso e realmente único. Adoro essas exposições do MET que fogem do convencional, sobre moda, joalheria, entre outras. A The Matilda Geddings Gray Foundation Collection está exposta novamente no MET até novembro de 2016 e podem ser vistos três ovos Imperiais e vários outros objetos e jóias. Matilda começou a colecionar a partir de1933, também artista, passou a ser a maior colecionadora de Fabergé do mundo.

Em 2004, Victor Vekselberg, grande empresario ucraniano, comprou nove ovos imperiais da Forbes Family de NY e exibiu sua coleção em 2007 no Kremlin. Hoje ele possui 11 ovos imperiais. No Kremlin Armoury Museum em Moscou podem ser vistos 10 ovos imperiais.

O primeiro ovo de Páscoa Fabergé foi feito para o Czar Alexandre III, que deu de presente para sua esposa, Maria Fedorovna, em 1885. O primeiro ovo parecia mesmo um ovo de verdade, era pintado de enamel branco fosco e dentro a surpresa, todo de ouro, revelava a gema, por volta de 10cm, mais a base. Dentro da gema havia uma galinha feita de ouro e dentro da galinha uma replica do diamante da coroa imperial. Esse ovo ficou conhecido como o Hen Egg, ou ovo galinha. Maria Fedorovna gostou tanto do presente que encomendou outro a Peter Carl Fabergé no outro ano. E a partir daí os ovos começaram a ser mais elaborados, com variados temas e sempre contendo uma surpresa no seu interior. Os ovos começaram a ficar famosos e Fabergé fez alguns para outros clientes, como a Familia Rothschild, os Yusupovs. Entre 1885 e 1917, foram feitos 50 ovos imperiais, mas apenas 42 estão catalogados e se tem notícias, 8 sumiram. Parece que esse dessa semana faz parte dos 8 sumidos.