Diversificando o programa de boteco

Qualquer cidade do interior do estado de São Paulo, tem uma praça, uma igreja e um trailer famoso, que vende o melhor sanduíche da cidade. Em Ribeirão Preto o trailer do famoso Mau Mau cresceu tanto que virou uma lanchonete gigantesca.

Na minha época de paraglider eu ia direto para Andradas. Éramos loucos pelo “x frango” do trailer da praça da igreja. Tinham vários trailers, mas esse era o melhor. Campinas também tinha o Gordão, que servia o lanche no carro.

Já aqui em Sampa tivemos a época da invasão de Towner que vendiam o dogão, com bastante pure e batata palha.

Agora estamos em uma onda mais sofisticada, para variar maria-vai-com-as-outras e de uma hora pra outra temos os famosos food trucks americanos invadindo a cidade…inclusive no estilo de comida, pois tem até tex-mex…e para completar um “parking lot de trucks”…

E sabe por que isso está pegando tão rápido? porque o custo Brasil inviabiliza o negócio do restaurante para quem tem e para quem come. E porque São Paulo é a cidade da comida. Como não temos praia, nosso programa número 1 é sair para comer. Até o Iguatemi aderiu a onda. Vira um programa divertido, não tão caro, pois no Brasil não existe mais nada barato. E agora pode ser até gourmet.

Fazem umas duas semanas fomos em um desses eventos de food truck lá no estacionamento do Pacaembu. Gastamos uma fábula para comer em pé, se lambuzando todo, mas estava um tesão. Eu fui de Acarajé (Acarajé da Barra) e sanduíche de porcheta (La Vera Porchetta), quase tive uma congestão de tanto comer e beber água. Só de água gastamos mais de 20 reais. Era um desses dias mega seco e a cada comidinha, eu virei umas duas garrafas.

Estou esperando aquelas barraquinhas enfileiradas de comida, como o mercado noturno de Hong Kong, Bangkok e Taipei…é o que falta…

Continuo fã do boteco, aliás uma das melhores invenções dos cariocas, desculpem os mineiros, que se espalhou por todo o Brasil. O Giba e o Veloso são meus preferidos.

Mas se você quiser comer os melhores salgadinhos de São Paulo, vá ao Yokoyama. Uma família gigante de japoneses fazem salgadinhos, fresquinhos, fritos na hora e milagrosamente sequinhos. Melhor esfiha de japonês. Melhor kibe de japonês. Melhor empadinha de camarão de japonês e claro o melhor pastel. Best choice ever!

Rua Luiz Góis, 1151 – Mirandópolis. – quase chegando na Domingos de Moraes. Não abre na segunda-feira.

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Cortázar…No, no y no…inveja de hormigas da “macramé”

mais uma…e na voz de Cortázar…No, no y no…inveja de hormigas da “macramé”…genial.

No, no y no
El señor Silicoso está completamente loco si se imagina que voy a darle una hormiga. Por el momento no pide más que una, creyendo que va a convencerme con su modestia, pero al principio (el 22 de noviembre por la tarde) pedía mucho más, quería cantidad de hormigueros, legiones de hormigas, prácticamente todas las hormigas. Está loco. No solamente no voy a darle la hormiga sino que tengo la intención de pasearme delante de su casa llevándola conmigo para hacerlo rabiar. Procederé de la manera siguiente: Primero me pondré mi corbata amarilla, y después de haber elegido la más esbelta y vivaz de mis hormigas, la soltaré para que se pasee por mi corbata. Habrá así un doble paseo, en el que yo iré y vendré frente a la casa del señor Silicoso y mi hormiga ira y vendrá por mi corbata. ¿He dicho un doble paseo? Más bien una apertura infinita de paseos en espiral, pues si bien la hormiga se pasea por mi corbata, mi corbata se pasea conmigo, la tierra me pasea en torno de la eclíptica, ésta se pasea a lo largo de la galaxia, que se pasea en torno de la estrella Beta del Centauro, y en ese preciso momento el señor Silicoso, que cree estar inmóvil, se asomará al balcón a tiempo para ver a mi hormiga perfectamente dibujada con todas sus patas y sus antenas sobre mi corbata amarilla que le parecerá, pobre hombre, una espada flamígera. Entonces empezará a soltar por boca y nariz una baba semejante al macramé, y su esposa e hijas acudirán para hacerle respirar sales y tenderlo en el canapé del salón. Salón que conozco demasiado bien, después de tantas veladas que he pasado bebiendo té frío junto a esa familia ávida de insectos.

Julio Cortázar, contra-novela Rayuela, 1963

Dormindo, ou tentando dormir e pensando no grande ator Robin Williams, que pelo visto não aguentou o tranco e apagou. Copiando a minha amiga, Cris bem que poderíamos apagar e acender, como sugeri o genial Cortázar…

“A veces uno amanece con ganas de extinguirse, Rocamadour. Como si fuéramos velitas sobre un pastel de alguien inapetente. A veces nos arden terriblemente los labios y los ojos y nuestras narices se hinchan y somos horribles y lloramos y queremos extinguirnos. Seguro que ahora no comprendes esto, pero cuando seas mayor habrá días en que amanezcas con ganas de que un aliento gigante sople sobre ti, apagándote. Así es la vida, Rocamadour, un constante querer apagarse y encenderse.”
— Julio Cortázar, contra-novela Rayuela, 1963

Meus Oito Anos, Casemiro de Abreu

E quando a gente é criança é assim que enxergamos a vida…eu sabia de cor esse poema de Casemiro de Abreu. Como seria bom acordar em uma segunda-feira e o mundo ser assim: um mar lago sereno, o céu um manto azulado e o mundo um sonho dourado.

Bom começo de semana. E nada como sonhar. Sonhar ainda pode!

MEUS OITO ANOS
Casemiro de Abreu

Oh! que saudades que tenho
Da aurora da minha vida,
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais!
Que amor, que sonhos, que flores,
Naquelas tardes fagueiras
À sombra das bananeiras,
Debaixo dos laranjais!
Como são belos os dias
Do despontar da existência!
— Respira a alma inocência
Como perfumes a flor;
O mar é — lago sereno,
O céu — um manto azulado,
O mundo — um sonho dourado,
A vida — um hino d’amor!
Que aurora, que sol, que vida,
Que noites de melodia
Naquela doce alegria,
Naquele ingênuo folgar!
O céu bordado d’estrelas,
A terra de aromas cheia
As ondas beijando a areia
E a lua beijando o mar!
Oh! dias da minha infância!
Oh! meu céu de primavera!
Que doce a vida não era
Nessa risonha manhã!
Em vez das mágoas de agora,
Eu tinha nessas delícias
De minha mãe as carícias
E beijos de minhã irmã!
Livre filho das montanhas,
Eu ia bem satisfeito,
Da camisa aberta o peito,
— Pés descalços, braços nus
— Correndo pelas campinas
A roda das cachoeiras,
Atrás das asas ligeiras
Das borboletas azuis!
Naqueles tempos ditosos
Ia colher as pitangas,
Trepava a tirar as mangas,
Brincava à beira do mar;
Rezava às Ave-Marias,
Achava o céu sempre lindo.
Adormecia sorrindo
E despertava a cantar!
…………………………..
Oh! que saudades que tenho
Da aurora da minha vida,
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais!
— Que amor, que sonhos, que flores,
Naquelas tardes fagueiras
A sombra das bananeiras
Debaixo dos laranjais!