A cabeça do ano.

Amanhã judeus de todo o mundo comemoram a véspera de Rosh (cabeça) Hashaná (do ano), ou o ano novo judaico. Estamos em 5775. Soa esquisito falar que estamos há mais de 3 mil anos na frente do calendário cristão não? Convenções. Somos o tempo todo impostos a convenções.

Na minha convenção judaica, o meu ano novo é amanhã. Vamos comemorar com um jantar daqueles nababesco, típico de qualquer iddishe mame, repleto de gefilte fish para os ashkenazis e de outras iguarias a base de cordeiro dos sefaradis. Vamos comer uma fatia de chalá com mel, mas dessa vez redonda, nosso pão típico de festas, que normalmente é comprido e trançado. Redondo para lembrar que o ano tem um começo e um fim. O mel simboliza que tenhamos um ano doce, doce em harmonia, em atitudes, em relacionamentos.

A chalá redonda convenciona que terminou mais um ciclo. E que tal parar para pensar o que aconteceu nesse ciclo? Teremos 10 dias entre a cabeça do ano e o dia do perdão, ou Yom (dia) Kipur (perdão). Nesse dia vamos parar tudo que estamos acostumados a fazer. Desligar do mundo, da tv, das medias sócias, do telefone e ter 24h de introspecção, nem podemos comer ou beber. A idéia é refletirmos sobre como foi esse ciclo e nos prepararmos para o próximo.

E é assim todo ano. E que sejamos inscritos novamente no livro da vida. E que sejamos tolerantes com as convenções, crenças e diversidades de todos os povos e indivíduos desse planeta.

Shaná Tová Umetuká Lekulam!

Um bom (tová) ano (shaná) bem docinho (umetuká) para todos (lekulam) judeus e não judeus. Todas as pessoas queridas do meu coração.

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The Nakba, A catastrofe.

 

Os palestinos vivem como eternos refugiados, desde o acontecimento da Nakba em 1948. Existe bastante controversia se a Nakba realmente existiu ou se foi fabricada pela própria propaganda arabe. Foram mais de 700.000 regufiados. Difícil acreditar que tenha sido apenas propaganda, mas depois da leitura desse texto que examina vários pontos de vista diferentes, fica o paragrafo final que é a questão de tudo. Meus avós também foram refugiados de seus países de origem quando vieram para o Brasil: da Polonia, da Bessarabia e da Ucrania. Como a gigante comunidade italiana, espanhola, portuguesa, libanesa e japonesa do Brasil. Todos reconstruiram suas vidas. Todos guardam memórias saudosas de suas origens, mas vivem aqui em paz, não vivem como refugiados e sim como cidadãos brasileiros de diversas origens. Da mesma maneira que hoje a comunidade judaica da Alemanha existe. Enquanto se alimentar esse ódio. Enquanto as crianças forem educadas como refugiados em Gaza e West Bank, será difícil encontrar algum dialogo. 

Como diz Ami Isseroff:

The Palestinian Nakba, Peace and Justice for Palestine
There is no way of ever obtaining total and complete justice in the real world. Those who insist on “Peace with Justice” should take care of what they wish for. The Nazi Grand Mufti of Jerusalem escaped punishment at Nuremberg because he was freed by the French, apparently in order to interfere with British policy in Palestine. He died in his bed. The tens, perhaps hundreds, of thousands of Jews who were killed by the Nazis because of the Mufti are never going to get justice. The Jewish refugees from Arab lands are probably never going to be compensated for the properties they lost, or for centuries of humiliation under Muslim rule. The Jews of Jerusalem who died in the siege of hunger, disease or enemy bombs and bullets will not get justice. The innocent Arabs, and there were undoubtedly innocents, who died or were expelled in 1948 are not going to get justice. The Romans, Arabs, Crusaders, Turks and British who invaded and held the land of Israel are never going to face justice either. The great injustice that is being done to the Jews of Israel and the Arabs of Palestine is perpetuation of the conflict and the hatred in the name of impossible and reprehensible goals.

 

http://zionism-israel.com/his/Palestine_Nakba.htm

A Guerra da Hipocrisia.

A guerra sem armas, sem bombas, sem inimigos revelados, sem confronto direto, é a pior de todas as guerras. A guerra da ganância que compra e vende sem pensar nas consequências, se é trabalho escravo, se vai poluir o mundo, se vai prejudicar a saúde, é a pior de todas as guerras. A guerra do poder de líderes capazes de mobilizar as pessoas em odiarem uma as outras, com palavras, com preceitos, é a pior de todas as guerras. A guerra da mídia, que expõe as notícias em forma tendênciosa, criando conceitos, criando tendências, é a pior de todas as guerras. A guerra dos que tem opinião para tudo, sem se aprofundar, sem vivenciar, é a pior de todas as guerras. 

A negligência com que o ser humano se comporta em relação ao outro em seu próprio “habitat” é a maior e a mais sangrenta guerra. Ela não aparece na mídia em fotos muito bem captadas, nem tem cara de filme de destruição do mundo de Hollywood, mas ela mata, ela discrimina, ela menospreza, ela corrompe, ela vende cigarro que dá câncer, ela contamina os rios, ela destrói as matas, ela acaba com a camada de ozônio.

Acabamos de vivenciar uma guerra de negligência absurda com o investimento bilionário da Copa. Deveria ser interditado, levado a mais alta supremacia da corte mundial, Haia, ONU, quem aprovou e gastou esse dinheiro. Alguém que aprova um investimento desse montante em um país onde as pessoas tem que sobreviver com míseros 70 reais por mês, ou sem isso, em condições precárias de saneamento básico, de saúde, sem comida, sem roupa deveria ser condenado por crime de guerra, da guera pela sobrevivência. Quantas pessoas poderiam ter saído da miséria se esse dinheiro fosse direcionado para melhorar as condições de vida humanas no Brasil? Quantas crianças poderiam deixar de morrer de desnutrição? Genocídio mudo. Genocídio de consequências de ação. Genocídio da negligência do ser humano em relação ao próximo.

Posso citar um milhão de exemplos dessa guerra da hipocrisia. Quer seja o racismo contra os negros no Brasil, que é escancaradissimo e todo mundo finge que não existe. Quer seja a homofobia e a discriminação da comunidade homossexual. Quer seja o descaso com os mendigos que moram na minha rua. Quer seja o descaso com as crianças que pedem dinheiro no farol. Quer seja por 4750 mortes que aconteceram em São Paulo nesses últimos dias por assassinato. E quer seja lá por que mais atrocidade horrorosa que nem queremos saber.

Quem mora em um edifício e convive com a famosa “reunião de condomínio” tem a prova de como é podre o ser humano. Todo mundo já quis ver um vizinho no raio que o parta, por ele não saber conviver em sociedade.

Então eu hipócrita, que vivo e convivo com tudo isso, na grande maioria das vezes calada, conivente, pois não dá para querer mudar o mundo, tento mudar meu microcosmo. Não participo mais de reuniões de condominio. E você?

Para refletir.

Am Israel Chai

Eu demorei muito para conhecer Israel. Por algum motivo não programado, viajei para tudo que é lugar do mundo e muitas vezes dezenas de vezes para o mesmo lugar e deixei Israel para poucos anos atrás. Existe um judeu antes e depois de conhecer Israel. Você pode até se considerar judeu, mas colocou o pé em Eretz a coisa pega, e como pega, passa de um conjunto de tradições para uma sensação de pertencer a um povo, e o único local no mundo, onde esse povo pertence de verdade é Israel. Eu posso ficar explicando de hoje até amanhã o que é Israel. Um país no meio de um deserto, de um pântano, seco, sem verde, um calor infernal. Um território menor que o estado do Rio de Janeiro. Em poucas horas você atravessa o país inteiro.

De 1948 para cá construíu-se um país com uma das tecnologias mais avançadas do mundo em informática, medicina, agricultura, com uma infra-estrutura invejável, com técnicas de irrigação que transformaram desertos e pântanos em áreas produtivas. O dinheiro lá dá para o básico (saúde, educação, segurança e infra-estrutura) e para manter um aparato militar que gasta milhões e milhões para proteger o território. E tem verde, ainda meio pálido, mas tem verde. E um povo que tem uma força inacreditável. A sensação de segurança quando você está em solo israelense é indescritível. A sensação para um judeu de pertencer a Israel também é indescritível. A quantidade de culturas e miscegenação que você encontra por lá também é indescritível, árabes as toneladas vivendo em Paz. Por mais que sejamos pedantes e chatos, não podemos parar de repetir, não podemos parar de apoiar nossa Eretz. Eu e vários amigos e familiares da comunidade passamos o dia replicando ou comentando o que está acontecendo em Israel , porque temos amigos que não são tão informados e acabam divulgando informações equivocadas sem checar as fontes. Já temos um problema bem sério e tudo que não precisamos é ainda palpites ou comentários que aumente o ódio contra nós judeus. Temos que aproveitar os novos meios de comunicação para por literalmente a boca no trombone, quer seja com mensagens, quer seja com manifestações como a de ontem em Higienópolis, quer seja comentando notícias, quer seja criticando a imprensa nacional, quer seja criticando a diplomacia brasileira. Não dá pra ficar quieto.

E dessa vez quem fala é um médico islamita do Cairo. Os árabes vivem em Paz em Israel. O Hamas não consegue dar esse mesmo ambiente para seu povo palestino, e a culpa é de quem?